DIGA, ESPELHO MEU! (por Marcelo Rayel Correggiari)
Add caption Há mister de se registrar certas delícias desses períodos de confinamento. Uma delas é o silêncio. Esse humilíssimo resenhista já tinha por hábito mais a noite do que o dia. Por motivos óbvios: o silêncio. Tudo bem que não há de se captar nuances e detalhes da arquitetura cafona local sem uma boa luz solar incidindo nesses objetos de tamanha contemplação, mas ter de lidar com a horda desumana que veio destruir os vernizes da civilização — tem um personagem do inabalável Laerte Coutinho, um general que vive com medo dessa horda que fica debaixo da cama e de tempos em tempos ataca instalações e facilidades do mundo ‘mudérrnu’ — soa sempre uma tarefa para lá de indigesta. Na rua onde moro, num raio de 200 metros, são quatro escolas. A padoca da esquina é apinhada desde seis da manhã: pai e mãe de aluno em filas duplas ou parando carros em lugares inapropriados conduzem adolescentes que se comunicam por berros e grunhidos. A cereja do bolo é um motorista do ônibu...