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DIGA, ESPELHO MEU! (por Marcelo Rayel Correggiari)

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Add caption Há mister de se registrar certas delícias desses períodos de confinamento. Uma delas é o silêncio. Esse humilíssimo resenhista já tinha por hábito mais a noite do que o dia. Por motivos óbvios: o silêncio. Tudo bem que não há de se captar nuances e detalhes da arquitetura cafona local sem uma boa luz solar incidindo nesses objetos de tamanha contemplação, mas ter de lidar com a horda desumana que veio destruir os vernizes da civilização — tem um personagem do inabalável Laerte Coutinho, um general que vive com medo dessa horda que fica debaixo da cama e de tempos em tempos ataca instalações e facilidades do mundo ‘mudérrnu’ — soa sempre uma tarefa para lá de indigesta. Na rua onde moro, num raio de 200 metros, são quatro escolas. A padoca da esquina é apinhada desde seis da manhã: pai e mãe de aluno em filas duplas ou parando carros em lugares inapropriados conduzem adolescentes que se comunicam por berros e grunhidos. A cereja do bolo é um motorista do ônibu...

QUARENTENA (The Big Picture por Marcelo Rayel Correggiari)

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Tempos tortos, remédios amargos. Do jeito que as coisas ficaram nos últimos tempos, convenhamos: já rolava algum tipo de ‘distanciamento social’ na parada. Ficar em casa, de alguma maneira, foi só ‘um plus’. Faltaria algum nível (ou quantidade) de coragem para que cada um admitisse que os círculos sociais já tinham se encurtado dramaticamente de uns tempos para cá — assim como também falta admitir que já havia ‘uma penca’ poluindo, por motivos psiquiátricos, as possíveis tertúlias. Encontrar um velho amigo, uma velha amiga, com um gesto e uma palavra doces nesses dias é algo que vale bem mais que ouro. Ainda tem gente que acredita que sairemos melhor ao final de toda essa turbulência — nome bacanudo para ‘tragédia e carnificina’. Tenho lá minhas dúvidas se estaremos melhores ao final de tudo: com as perdas já contabilizadas por causa da praga, não sabemos como repor a riqueza intangível perdida por conta de severos quadros médicos irreversíveis. Daremo-nos por felizes ...