O POÇO É SEMPRE MAIS FUNDO DO QUE IMAGINAMOS (por Antonio Luiz Nilo)
Existem várias categorias de filmes. Aqueles, por exemplo, que você vê com a exclusiva finalidade de se divertir, pouco se importando com a qualidade do roteiro, o nível da direção ou a precisão da montagem. O máximo de crivo técnico que pode sair da sua boca é algo do tipo: “Mas aquela velhinha trabalha pra cacete, né não?” Ou aqueles outros que você escolhe na Netflix porque brigou com a mulher ou levou uma comida de rabo do chefe e quer apenas extravasar. Aí eu incluo os Velozes e Furiosos e Transformers da vida, onde a produção pode até levar um Oscar, mas o roteirista não passa de um candidato ao Framboesa. Ou então aqueles filmes que os cinéfilos se afundam na poltrona, piscando uma única vez a cada 50 minutos, atentos a um inusitado plano-sequência, à perfeita disposição de objetos de uma direção de arte impecável, a uma narrativa que desconstrói a cronologia ou a um roteiro de diálogos inteligentes e licenciosos. O protótipo da película cult, razão da existência do...